Na formação do vocábulo “perfume” (Per Fumum), de acordo com o Dicionário etimológico da língua portuguesa, entra evidentemente o latim fumus, mas não se sabe ao certo em que língua o vocábulo se formou.

Sabe-se, no entanto, que o termo difundiu-se pelos idiomas das regiões mediterrânicas: o francês e o italiano. De qualquer forma, a palavra parece transparecer a seguinte formação latina “per” – através de – e “fumus” – vapor que se desprende dos corpos em combustão ou dos líquidos em ebulição.

Assim, à letra, o verbo “perfumar” significaria – cheiro que se exala através de algo que está a arder; o que nos chega, em termos olfativos, através do fumo. E são várias as formas de sentir e apreender o que nos rodeia; se fomos perdendo o olfato para a visão foi porque se sobrepuseram outras necessidades.

Além disso, os sentidos transportamnos para memórias, emoções ou sensações que podem, por exemplo, ser também despertadas pelas cores. No livro Vermelho – História de uma Cor, Michel Pastoureau faz a seguinte afirmação em relação à cor vermelha: “Vinculado ao fogo e ao sangue desde épocas remotas, o vermelho desdobra-se num labirinto cromático particularmente fecundo e ambivalente, permanecerá, no entanto, como a cor do erotismo, da alegria e da revolução”. – Carla Castiajo, 2022